Receber o diagnóstico de diabetes em seu gato pode ser um momento de muitas dúvidas e preocupações. Mas, respire fundo! Com a orientação correta e um pouco de cuidado, seu amigo felino pode ter uma vida longa, feliz e cheia de bem-estar.
Nós acreditamos que a informação é a melhor ferramenta, então entender a condição do seu gato é o primeiro passo para um tratamento de sucesso. Vamos juntos desvendar os mitos e verdades sobre a diabetes felina!
O que é a diabetes mellitus em gatos?
De forma simples, a diabetes mellitus é uma condição em que o corpo do gato não consegue utilizar adequadamente o açúcar (glicose) presente no sangue. Isso acontece por uma de duas razões: ou o pâncreas não produz insulina suficiente, ou as células do corpo não respondem a ela como deveriam. A insulina é um hormônio essencial que funciona como uma “chave”, permitindo que a glicose saia do sangue e entre nas células para ser usada como fonte de energia.
Os gatos costumam desenvolver um tipo de diabetes semelhante ao tipo 2 em humanos, no qual o principal problema é a resistência à ação da insulina, muitas vezes associada ao excesso de peso.
Quais gatos têm maior risco de desenvolver diabetes?
Embora qualquer gato possa desenvolver diabetes, alguns fatores aumentam essa probabilidade, é o caso da obesidade e sobrepeso (aumenta o risco em 4x), a idade (gatos acima de 7 anos tem maior probabilidade), o sedentarismo, o uso excessivo e prolongado de corticoides e algumas doenças crônicas com pancreatite crônica e doença renal.
Quais são os sinais de que meu gato pode ter diabetes?
Os sinais clássicos da diabetes são consequência direta do excesso de glicose no sangue e da incapacidade do corpo de usá-la como energia, muito semelhante ao que acontece com os humanos: muita sede (polidipsia), muito xixi (poliúria), muita fome (polifagia), perda de peso, fraqueza nas patas traseiras, letargia e apatia e pelagem sem brilho e descuidada.
Por isso é importante acompanhar o consumo de água, de alimentos e o volume de xixi na caixinha de areia.
Como o médico veterinário diagnostica a diabetes?
Se você notar algum dos sinais acima, a visita ao veterinário é fundamental. O diagnóstico é confirmado através de exames de sangue e urina, que irão mostrar níveis persistentemente elevados de glicose.
É interessante notar que os gatos podem ter um aumento temporário da glicose no sangue apenas pelo estresse da visita à clínica. Para diferenciar essa situação da diabetes real, o veterinário pode solicitar um exame chamado frutosamina. Ele mede a média dos níveis de glicose das últimas 2 a 3 semanas, fornecendo um quadro mais fiel do controle glicêmico do animal.
Como funciona o tratamento com insulina?
A base do tratamento para a maioria dos gatos diabéticos é a combinação de uma dieta adequada e a administração de insulina. A insulina injetável substitui a função que o pâncreas do seu gato não consegue mais realizar, ajudando a regular os níveis de açúcar no sangue.
Existem diferentes tipos de insulina, e o veterinário irá escolher a mais adequada para o seu gato. As mais utilizadas e que apresentam as maiores taxas de remissão são as insulinas de ação longa, como a glargina e a detemir.
A ideia de aplicar injeções no seu gato pode parecer assustadora no início, mas a grande maioria dos tutores aprende rapidamente e percebe que é um processo mais simples do que imaginavam. As agulhas são muito finas e a aplicação é subcutânea (sob a pele), geralmente na região do dorso, sendo praticamente indolor.
Aqui no HV Cats nossos veterinários irão demonstrar detalhadamente como preparar a dose e aplicar a injeção. O mais comum é que a insulina seja aplicada duas vezes ao dia, com um intervalo de 12 horas entre as doses.
Como monitorar a glicemia do meu gato em casa?
O monitoramento em casa é uma parte crucial do tratamento. Ele permite que o veterinário ajuste a dose de insulina de forma precisa e segura, além de ajudar a identificar precocemente qualquer problema.
Existem 3 formas de fazer isso, com o método da curva glicêmica, o monitoramento contínuo de glicose (MCG) e o monitoramento dos sinais clínicos.
A curva glicêmica é o método mais tradicional, onde você medirá a cada 2 ou 4 horas ao longo de um dia com um glicosímetro, igual ao que fazemos em nós, em casa mesmo! No caso de gatinhos a coleta da gotinha se sangue é feita, normalmente, na orelha, que é uma região pouco sensível. Fazer a curva em casa evita o “estresse do jaleco branco”, que pode alterar os resultados se o procedimento for feito no consultório.
O Monitoramento Contínuo de Glicose (MCG) é uma tecnologia mais recente e muito prática é o uso de sensores de glicose, como o Freestyle Libre®. Um pequeno sensor é aplicado na pele do gato (de forma indolor) e mede a glicose continuamente por até 14 dias. Para fazer a leitura, basta aproximar o leitor ou um smartphone do sensor. É uma forma excelente de entender como a glicose do seu gato se comporta ao longo do dia e da noite, sem a necessidade de picadas constantes.
O Monitoramento dos Sinais Clínicos consiste na observação diária dos hábitos do gatinho: consumo de água e comida, volume de urina, perda de peso, atividade diária.
A melhora desses sinais é um forte indicativo de que o tratamento está funcionando!
Qual a importância da dieta para o gato diabético?
A dieta é um pilar fundamental no tratamento do diabetes felino, tão importante quanto a insulina. O objetivo é fornecer uma nutrição que ajude a estabilizar os níveis de açúcar no sangue e a atingir o peso ideal. É preciso oferecer uma dieta com baixo teor de carboidratos e maior teor de proteína, por esse motivo é possível encontrar diversas rações secas e úmidas terapêuticas, específicas para gatinhos diabéticos.
As rações com menor teor de carboidrato e maior teor de proteína ajudam a reduzir os picos de glicose após as refeições, ao mesmo tempo que promovem a saciente, fornecem energia de forma mais estaveis e auxilia na manutenção da massa muscular.
Alimentos úmidos (sachês ou latas), geralmente, possuem um teor de carboidratos naturalmente mais baixo que a ração seca, sendo a opção preferencial para a maioria dos gatos diabéticos.
Quais são as possíveis complicações do diabetes em gatos?
Um diabetes não controlado pode levar a complicações sérias como hipogliemia, cetoacidose diabética (CAD) e neuropatia diabética.
A hipoglicemia é a queda perigosa dos níveis de açúcar no sangue. Isso pode acontecer se o gato receber uma dose de insulina maior que a necessária ou se ele não comer adequadamente. Os sinais incluem fraqueza, tremores, desorientação, e em casos graves, convulsões e coma. A hipoglicemia é uma emergência! Tenha sempre em casa um sachê de mel ou glucose de milho para passar na gengiva do gato enquanto o leva imediatamente ao veterinário.
Já a Cetoacidose Diabética (CAD) é uma complicação grave e potencialmente fatal que ocorre quando o corpo, sem conseguir usar a glicose, começa a quebrar gordura de forma descontrolada para obter energia, produzindo substâncias tóxicas chamadas cetonas. Os sinais incluem perda de apetite, vômitos, letargia severa e hálito com cheiro de acetona. A CAD também é uma emergência veterinária.
A Neuropatia Diabética é resultado de uma hiperglicemia crônica, que pode danificar os nervos, principalmente os das patas traseiras, causando a fraqueza e a postura plantígrada, que é quando o gatinho anda apoiando a parte traseira da pata, não apenas o “pézinho”.
Por isso ter o diagnóstico correto e seguir o tratamento indicado é fundamental, se você está em Londrina ou região e desconfia que seu gatinho possa estar diabético, entre em contato e agende uma consulta aqui no Hospital Veterinário Cats.









